quarta-feira, 11 de março de 2015

Alfabetização e letramento: da leitura do texto ao contexto

São objetivos da escola e das famílias em geral proporcionar às crianças o acesso ao conhecimento e a formação de indivíduos críticos, comprometidos consigo mesmos e com a sociedade, capazes de interferir modificando a realidade, auto-motivados e aptos a buscar o aprendizado e o aperfeiçoamento contínuos, o que passa pela formação de leitores competentes.
            É fato sabido que várias gerações têm demonstrado não apenas o desinteresse pela leitura, mas também a incapacidade de fazê-la coerentemente, compreendendo um texto em profundidade, o que inegavelmente limita o indivíduo em suas possibilidades de acesso ao conhecimento culturalmente constituído.
            Portanto, é tarefa urgente dos pais e da escola, em todos os níveis, buscar maneiras de estimular, mais do que a capacidade de ler, o prazer pela leitura. Apenas proporcionando aos seus sujeitos o prazer da leitura, poderemos construir as competências necessárias para a compreensão e produção.
            Pensadores como Paulo Freire apontam para o reconhecimento de que a leitura de mundo precede a leitura da palavra e da escrita, isso implica dizer que a leitura em si nada significa se não aplicada a vida real ao cotidiano dos trabalhadores. Assim, denota-se que o não desenvolvimento de bons leitores limita as possibilidades de leitura de mundo e de uma intervenção na realidade social. É nesse sentido que se fala que a ignorância das massas interessa a cínica elite capitalista internacional e brasileira. A leitura e, portanto a interpretação do real são instrumentos “perigosos” quando dispostos nas mãos da população. Perigosos porque ameaçam o conformismo e imensa desigualdade social.
            Na intenção de desenvolver, desde os princípios da educação infantil – hábito e o prazer pela leitura – a educação infantil e do ensino fundamental (6º ao 9º ano) deve oferecer mediante livros e textos variados condições de acesso ao que há de melhor da produção cultural e literária nacional e estrangeira. Sabe-se que a leitura de mundo faz-se mediante a leitura de diversas fontes ou gêneros textuais, e como se costuma dizer – mídias. Mesmo se tratando de uma criança, esta se deve fazer presente, sentir-se sujeito da história, não apenas “figurante”.

            Filmes, músicas, histórias em quadrinhos, fábulas e outras formas narrativas podem ser um excelente estimulante da leitura e consequentemente da interpretação textual para as crianças e até mesmo para os adultos que estão a desenvolver sua capacidade comunicativa.

Prof. Carlos Henrique Ferreira Nunes

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